Posso dizer que, por uma unica vez... uma exclusiva e unica vez eu me vi nos olhos de uma mulher... Po
r poucas vezes eu senti uma "empolgação" de uma mocinha ao me olhar... Como eu sempre trabalhei fora (desde os 13 anos eu faço isso), sempre fui muito ocupado, e enquanto meninos da minha idade estava jogando bola na rua ou arrumando encrenca, eu estava lutando para ganhar meu dinheiro. Sempre fui assim, e isso eu agradeço à excelente criação que tive da minha mãe, que teve de se virar quando meu pai resolveu sair de casa, quando minha irmã nasceu e eu tinha 7 anos. Mas então, quando eu tinha 17 anos eu conheci uma garota. Conheci ela através de um amigo em comum, que gostva de ir no saudoso "banana e café", uma das melhores boates que ja fui em Uberaba (talvez por ser a primeira que fui). Então conheci uma mocinha... Inicialmente confundida com "Ana", ela depois me corrigiu seu nome. Luana. O que eu poderia dizer? Uma moça de 17 anos também, com 1,78 de altura (quase do meu tamanho), sobrencelhas grossas e bem definidas, olhar expressivo e beleza física incrivelmente atrativa. Nesta época eu nem me preocupava tanto em sair ficando com meninas (aliás, nunca fui de ser "pegador" nas baladas) e gostava mais de dançar as músicas eletrônicas. Ela pouco falou comigo, mas dançou na minha frente a noite toda. Sempre que a boate vai acabando, o dj ia colocando aquelas músicas mais harmonicas, estilo Gielen, Van Dyk e outros que tanto gosto. Nessa hora, parece que desceu uma atmosfera diferente ali naquela pista, onde eu estava... Então, a Mocinha sorriu para mim, e começou a dançar como se fosse só para mim (hipótese confirmada alguns dias depois), e se aproximando, jogando seus braços e mãos para um lado e para o outro... Desculpem, mas nunca vou conseguir descrever a imagem que vi quando aquela garota tão bela dançou na minha frente. Foi simplesmente mágico... Então começaram os contatos físicos, sempre na arte da dança, e as músicas soavam como trilhas perfeitas para nossa história que começava ali, naquele instante. Então, olho no olho, mãos na face, e aquela leve fechada nos olhos, como alguém que delira acordada... E o beijo. Aquele beijo, ao som de ForAnAngel, de Paul Van Dyk selou o inicio de uma relação que eu nunca imaginei viver na vida. Pouquíssimas palavras foram trocadas naquela noite, mas ao terminar aquele longo e intenso beijo, nos abraçamos por alguns minutos, e foi o abraço mais acolhedor que ja dei em alguém na vida. 10 dias depois, começava o namoro de Rodrigo e Luana... Lembro de vários detalhes dos 3 breves e maravilhosos anos que passamos juntos. Uma das coisas que mais gostávamos era de subir no telhado da casa dela, que era um sobrado, estender um colchão daqueles finos de acampamento sobre as telhas e apenas olhar o céu. Outro fato legal é que tinhamos sim nossos instintos humanos e desejos sexuais. Obvio, todos tem... Mas era mágico ir para um lugar que só agente sabia que existia, dentro do carro de minha mãe, colocar músicas que gostávamos e ficar juntos... apenas ficar juntos, abraçados, afagando um ao outro, dando pequenos beijos e planejando como estaríamos daqui a 5 anos... Lembro-me de um dia que fomos a Rifaina, em Março, somente nós dois, chegando perto da cidade, que fica à beira de um rio, estava chovendo. Não havia nenhum dos bares abertos, o clube Aguas do Vale tinham poucas pessoas... Não era uma chuva forte, mas também não eram choviscos... E em uberaba, fazia um sol escaldante... Lembro que ela me olhou com aquele sorriso maroto e tentador que ela tinha, e falou: "Não viemos atoa, certo?" E desceu do carro em direção à areia molhada, com sua canga amarrada na cintura e sem a blusa... apenas com o biquini... Obviamente fui atrás dela, e pela primeira vez, eu beijei uma garota debaixo de chuva.
Lembro também que fomos numa excursão da escola dela, em Setembro de 2000 para o PlayCenter. Lembro que andei de carrossel junto com ela, sempre abraçados, sempre juntos, sempre cúmplices, sempre estando junto um do outro... Lembro de descermos no tornado, e ela estava tão apavorada que quase arrancou um pedaço de meu braço, tamanha foi a força que empregou para me segurar. Lembro da foto que tiramos, e que não me perdoo de ter queimado, na porta de um restaurante, em que ela me dava um pedaço de alguma coisa que não me recordo na boca... Como aquela foto ficou expontânea... Parecíamos um casal apaixonado... E éramos...
Então, esta cena nunca vai me sair da cabeça... Ela me olhou, com aqueles olhos de "ressaca", deu um beijo em minha testa e me falou várias coisas legais, sobre a relevância que eu tinha na vida dela...
E pela primeira vez, eu entendi o que é uma mulher quando está apaixonada por um homem... Lembro da viagem de volta, daquele ônibus tão calado que na vinda era só festa e alegria... Só vi aqueles meninos loucos e meninas frenéticas mortos de cansaço pelo excelente dia que tiveram... E olhei para a Luana, que dormia... Lembro que pensei: "Será que eu amo esta menina?" Minha concepção de amor nunca foi algo claro para mim, mas se eu não amei esta menina, estive bem perto disto um dia...
Como era bom dormir ao lado desta garota... abraçados... Sobretudo no frio, quando ela ia para casa, e acabava adormecendo nos meus braços... Parecia um anjo de olhos fechados... Pela primeira vez, percebemos o valor do companheirismo e da cumplicidade...Lembro do natal em Dezembro, quando viajamos para a casa de meu padrinho, onde também tem um sítio... Lembro de acordarmos as 4 da manhã para ver o dia chegar.,.. Na época meu padrinho não tinha cavalos no sítio... Então caminhavamos até o ribeirão que passava lá em baixo, ha uns 800 metros da sede, subíamos no ipê e esperávamos o sol clarear a vegetação... Pela primeira vez, fiz alguém se apaixonar por algo que eu gosto, que é assistir o dia chegar, que é também estar no mato, no meio da natureza... Lembro de todos os sonhos que ela contava para mim, e afirmava com toda determinação que iria realizá-los. Lembro também que foi neste sítio que, pela primeira vez, eu fiz amor com uma mulher... E pela primeira vez, eu percebi a importância que isto tinha para duas pessoas... E tive certeza que estava com a garota certa... Lembro de nossos passeios nas cachoeiras, de nossas loucuras nos lugares mais improváveis, de como era gracioso seu sorriso...
E lembro, no dia 13 de abril de 2001, numa sexta-feira 13, quando ouvi pela primeira vez, uma mulher dizer que me amava. E Lembro também que eu nunca consegui dizer isso a ela, por que eu não tinha certeza do que era o amor... Mas hoje, vejo que posso ter amado muito esta menina... O Fato é que nossa história se acabou em um domingo de novembro cinzento e vazio, onde após ser agredida por alguém que deveria amá-la, ela se voltou contra mim, que tentava defendê-la deste ser asqueroso e baixo que era quem ele era (o próprio pai). E eu disse coisas a ela que jamais me perdoei de ter falado... E simplesmente sumimos um do outro... E pela primeira vez, eu senti a dor da perda de uma paixão forte e desconcertante...
Por várias oportunidades nos encontramos... nos falamos... sempre nos perguntamos onde foi que deu errado... (visto que discussões aconteciam, porém nunca havíamos brigado de ficar mais de 10 minutos separados ou emburrados um com o outro...)
Mas sempre chegamos à conclusão de que aquilo que foi vivido deve ser mantido vivo dentro dos nossos corações...
Lembro com carinho deste relacionamento... desta garota...
E espero sinceramente que Deus ainda me permita viver algo parecido com o que vivi dos 17 aos 19 anos...
Que saudade que tenho daquela época... E fico pensando se ainda estivéssemos juntos...Eu não teria ido para Ribeirão, ou talvez até teria ido, mas com ela, e estaríamos naquela cidade até hoje... Quem sabe minha vida fosse totalmente diferente do que é hoje, visto que ela me fazia terminar tudo que eu começava. Extraía sempre o melhor de mim como pessoa... Me levava à frente...
Como estaria minha vida hoje ao lado dela? Isso nunca vou saber. O que sei é o que estou vivendo agora... Como diria a música: "Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto..." E não gosto de remoer o passado... Então, vou tocando meu barco adiante...Se o motor quebra, armo a vela. Se ela rasca, eu remo. Se eles se perderem, pulo no mar e nado. Se meus braços cansarem, encho meus pulmões e bóio... O importante é nunca desistir de tentar...Nunca.

2 comentários:
Ro ja estou me sentindo uma convidada vip aqui no seu canto.
E qdo leio é incrivel eu viajo com seus relatos e ao ler esse tive a impressão que vc teve momentos verdadeiros e reais com o amor,aquele amor puro,sincero e lindo que queremos para nós,mas e o destino não os quis juntos é pq tem surpresas pela frente,e vc merece isso.
Super beijo querido e bom começo de semana.
oi estava no blog da kall,vi seu nome e resolvi dar uma olhada.O que vc relatou eu sei bem como é.Mas tem pessoas que aparecem nas nossas vidas,pra nos ensinar algo,que as vezes no momento não sabemos pq,mas depois entendemos o que o destino quis nos dizer.A musica do legião que eu amo."nesses dias tão estranhos fica a poeira se escondendo pelos cantos" Gostei daqui e voltarei.Tenha uma semana deliciosa.
beijus.
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