sexta-feira, agosto 18, 2006

Another - Anos Incríveis

Lembro me de uma época, em que o cheiro era de amaciante de roupas... O gosto era de wafer Mirabel e suco de laranja. A professora não era professora, e sim Tia... Ah, e eram tantas tias... Tia Toninha, Tia Heloísa, Tia Bia, Tia Kátia... Nossa, quantas tias... A música era de uma loira que dizia gostar de crianças, mas seus olhos insistiam em dizer o contrário. Lembro da época em que meninos e meninas brincavam inocentemente juntos, sem distinção de cor, sexo e religião. Lembro da pureza desta época. Lembro de chegar em casa e assistir Kissy Four, Ursinho PUf, Pernalonga, Pica-pau, chaves, chapolin, cavaleiros do zodíaco, X-man... Lembro também dos brinquedos: Antes eram os de rua, tipo os piques pegas, pique esconde entre outros. Então passou a ser bonecos, como comandos em ação, armas de espoleta e de pressão. Então chega a era do vídeo game... Nossa, quanta coisa em tão pouco tempo... Será que estou mesmo na época certa??? Então passo a me lembrar de um tempo em que o cheiro era de grama molhada, de orvalho, o gosto era de spakyes ou big big, a Tia passou a ser Professora, a música era o hit parade da Jovem Pan (saudades da Jovem pan em Ura), as roupas e tênis ja tinham marcas, a aparência importava e meninos tinham ja diferença de meninas. E que diferenças. Os meninos eram os trogloditas com quem eu competia, trombava e brigava no futebol ou no basket nas aulas de Educação física. E as meninas...Ah, aquelas eram deusas esculpidas em forma de papel de seda, onde o mais alto escalão da divindade caía a seus pés... Suas peles eram como faces de pêssego e seus sorrisos indescritivelmente enigmáticos... Pudera, pois foi nessa época em que vários de meus colegas (eu inclusive) descobrimos o primeiro amor. Também muitos descobriram a competição, ao passo que outros a vitória, muitos a derrota, mas todos sem exceção aprenderam a mágica da adolescencia... O primeiro cigarro, a primeira cerveja, o primeiro beijo, a primeira vez, o primeiro fora, a primeira balada, a primeira fuga de casa, a primeira briga de rua, a primeira suspensão, a primeira bomba, a primeira banda, o primeiro show, o primeiro amor. A fantasia que era de se imaginar aquela menina da 7a série andando de mãos dadas com você, te beijando e vocês fazendo juras de amor quanto ao futuro, assim como eram nos filmes adolescentes da época. O Roller Rock, onde dei meu primeiro beijo e andei a primeira vez de mãos dadas com uma garota... Muita coisa aconteceu nesta época e muita coisa foi vivida também. Um pouco antes, a separação de meus pais, o nascimento de minha irmã e muita, muita dúvida, muita confusão... O período de rebeldia, a fase de más influências, a época de pixar muros, de sair em turma, de beber escondido... Mas depois de um tempo, parece que agente amadurece, cresce e muito disso tudo começa a perder a graça. É então que me lembro de uma época, em que o Professor não é mais professor... É apenas Fulano ou Ciclana, que o recreio não é recreio e sim intervalo, que os assuntos não são mais cavaleiros do zodíaco ou Comandos em ação, e sim empregos e estágios. O cheiro é o do carro, a música ja não tem mais tanta importância de qual seja... O gosto é de fast food quando dá tempo de sentir algum gosto. O amor que agente fantasiava na 7a serie dá lugar aos papos de quantas um ou outro ja ficou, onde será a próxima balada onde tenham mulheres, qual república vamos matar as aulas de programação...As mulheres já não são mais aquelas deusas incomensuráveis, mas sim divididas em duas categorias: As desejáveis e as detestáveis. E quantidade incrivelmente era mais importante do que qualidade. ERam troféis de muitos caras, e vi mulheres legais e relevantes se tornarem o pior tipo de pessoa por conta de sofrer por caras cretinos, aos quais muito esbarrei pela minha vida. E via com nojo muitos de meus colegas contando em alto e bom som como faziam e o que faziam com suas namoradas. Mas de tudo isso me orgulhei de não ter sido um deles, pois hoje eles sofrem com a volta por cima de suas ex, que inevitavelmente se tornaram pessoas de sucesso, embora um tanto arredias... E graças a isso tenho comigo que nunca despertei a Ira e o Ódio em nenhuma das belas e simpáticas garotas com quem estive junto até hoje. Ir embora de sua cidade... Conhecer outro mundo e tomar uma injeção de maturidade em dose muito maior da que tomou antes. E voltar fazendo muitos planos e ver que a vida não é lá muito gentil com quem é bom ou honesto. E ter que recomeçar tudo denovo, do zero. Mas logo em pouco tempo se reerguer e atingir vários objetivos dos quais tinha traçado anteriormente. Lembro também daquela época em que eu escrevia blogs e textos... Ah... Aliás, ainda estou nesta época... Posso imaginar como serão as outras épocas que virão, ou posso apenas esperar que elas aconteçam... Então me perguntar: O que é mais emocionante? Planejar na imaginação antecipadamente ou apenas viver o que esta destinado a mim? Ah... me lembro da época que eu tinha 23 anos e me fazia esta pergunta...

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