terça-feira, agosto 29, 2006

Another - Sentir por Entrelinhas... A vida dando apenas um tempo.

Gostaria de dizer que um sabio um dia pensou assim, mas não foi um sábio... Foi apenas mais um entre milhares e milhares de seres humanos que sentem... que respiram desejos e buscam por algo por toda a vida... Alguns jogam para se sentirem vivos, outros se drogam... outros vão a festas e alguns lêem livros. Algumas pessoas caminham no fim de tarde, e outras trabalham sem parar... Muitas pessoas se vêem presas às suas profissões, e as vezes acham que faltar um dia só é uma grande fuga rumo a libertade. Outras, tem a vida tão entediantemente parada que uma simples ida à padaria da rua debaixo se torna uma aventura incrível... Existem essas pessoas, que fazem isso para se sentirem vivas... E existe eu... Algo que não fazia ha muito tempo e fiz ontem, no início da noite, quando começou a chover, foi ir para aquele campo, onde cresci jogando bola com meus amigos, e ainda com a camisa da empresa, tirei meus sapatos e pisei na grama molhada... e a chuva continuava a cair... O frio que começa a arrepiar seus poros, a agua que cai de seu cabelo molhado... pequenas sensações...
Outra coisa que me faz sentir vivo, é ver o dia terminando ou começando... O céu que vai se tornando azul sem deixar de ser preto, a estrela que teima em brilhar com o sol ja de fora, os pássaros que vão acordanto, o cheiro que terra molhada que começa a subir, as luzes da cidade, que outrora brilhantes, ja não tem mais tanta força, e vão sumindo, uma a uma...
Ou então você está acordado em um sítio, ou um rancho, em que passa um rio ao fundo, e tocou violão a noite toda com sua turma, e uns ainda de pé, porém sonolentos, começam a ir apasiguando suas alma, ficando mais reclusos, pálpebras pesando, bocas se abrindo de sono, e as vezes se fica sozinho, ou com algum amigo ou amiga que também tem a mesma sensação de liberdade ao contemplar paisagens atípicas da vida urbana, assim como você... Os sapos no meio do rio, que se deixam ir levando pela correnteza e seus olhos brilhantes, aquele silêncio "ensurdecedor", onde você percebe que a vida deu apenas um tempo, mas ainda existe... E novamente o dia vai clareando, e as vezes você até está com alguém, e só de estar ali não precisa de nada a dizer, nem nada a ouvir, por que tudo é completo... Tudo fica perfeito... Olha a sua volta e ve seus amigos, derrotados pelo sono e pelo êxtase da noite entre amigos, que ha muito você não se presenteava, vê cada um, como uma criança, de olhos fechados, respirando... sentindo que a vida está ali... deu apenas um tempo....
É engraçado como temos uma gama de sensações que podemos sentir, se, é claro, estivermos abertos a elas...
As vezes escutar o silêncio é a única coisa que precisamos, para ao certo, percebermos que estamos vivos, e estamos apenas dando um tempo...

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