quinta-feira, agosto 24, 2006

Another - Confissão...

Confissões... as vezes trágicas... as vezes reveladoras... Sempre que olho por sobre aquela sacada me lembro dessas confissões... Sempre olhava, sempre te via caminhando pela areia... E sempre quis te contar, mas as vezes me faltava coragem, mas nunca oportunidade. Confissões... sabe o que me dava mais medo? Era com certeza confessar que seus olhos brilhantes eram os mais ávidos que pude fitar... Talvez confessar que foi a mais bela desconhecida que vi passear pela praia, e talvez também a beleza estava justamente em ser uma desconhecida... Mas eu sempre lembrava dessas confissões, quando a olhava pela sacada. E me perdia pela mente ao me imaginar em sua frente, fazendo isso que tanto me deu medo um dia... Confessar... Confessar que você era a mais perfeita e bela mulher que eu jamais um dia vou ter a benção de poder estar nos braços... Ou até terei... quem sabe se eu confessar... ou se confessasse... Confessar que, ao avistá-la pela minha sacada, fazia meu estomago dar 650 voltas em torno dele mesmo, que desfalecia meus joelhos, secava no zero minha boca e me anestesiava a alma como esta nunca havia estado... Cabelos longos e esvoaçantes, que fazia o vento balançar, e não o contrário... E os passos na areia, que mais tarde eu acompanhava, imaginando que as minhas "pegadas" estivessem sendo marcadas no mesmo instante que as suas... Mas então vinha a onda, e apagava as suas, e deixava as minhas... doce ilusão. Poderia confessar isso também... Poderia talvez confessá-la que a amo tanto... mas isso a assustaria, pois eu não sou ninguém... AH sim, eu sou alguém... Sou aquele cara da sacada, que te olha todos os dias, e que você abre um pequeno sorriso no canto da boca, um pouco convidativo, um pouco duvidoso... Mas estou aqui, em minha sacada, admirando o sol que se vai, as estrelas que timidamente aparecem no horizonte mais escuro, as ondas, as palmeiras e, logicamente, suas pegadas na areia... E vejo a noite aparecer, como quem convida alguém a sonhar... ver aquela fogueira bem longe, e avistar algumas pessoas, em torno dela, a lua refletida nas águas, as pequenas luzes do vilarejo, e sua imagem que não sai de minha cabeça... Mal consigo dormir, esperando a próxima manhã, em que você estará lá, novamente, caminhando sobre a areia, com seus longos cabelos, olhos cobiçantes e sorriso misterioso. E eu, em minha sacada, fazendo confissões... essas confissões, em que eu imagino todos os minutos de meus dias, embalando-a em meus braços, deixando marcas na areia, sentindo seu abraço, seu beijo... sua alma...
Eis o que confesso.

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