terça-feira, agosto 22, 2006

Another - Sentimentos Perdidos...

Ai vai um outro texto de minha autoria... espero que alguém goste...

Sentimentos Perdidos:

O que se perde quando ja não se sente mais um desejo, uma sensação, uma curiosidade ou simples frio na barriga? O que se deseja tanto um dia, que no outro parece ja não ter mais a mesma taquicardia? O que falta naquela hora em que você entra no avião, e ja não vê mais tanta beleza em voar? O que se perde?
Será que o cheiro desaparece? Será que a fome cessa? Ou o caminhar já não é mais tão atraente? Se perde sensações que na vetustez com certeza sentiremos falta. Sentir falta... Agente passa a vida inteira sentindo falta do que perdemos... Será que não percebemos que nunca mais resgataremos? A camisa molhada com cheiro de confort sobre a cama, a velha caixinha de música com a bailarina que galanteia com sua dança sob o espelho pequeno, dando voltas e mais voltas em torno de si mesma, as calças dobradas sobre o colchão, quando você vai morar fora e quase não tem móveis, os lanches no Habib´s ou no Pizza Hut, as tardes caminhando no bosque, as noites olhando para o céu, vendo estrelas, as vezes só, as vezes acompanhado... O velho frio na barriga, o pacote de Lollo que virou milkbar, o carro velho de seu pai, o carro novo de sua mãe, as madrugadas em que se acorda para viajar, o tempo que passa tão lentamente nas manhãs e tão rapidamente à tarde... A sensação de felicidade quando se pensa nela, o desespero e a angústia quando se pensa nela, as tardes nos ensaios de teatro, o abraço, a lágrima, o vento...
Lembre-se de você, criança, quando corria na chuva, andava descalço e brincava com os cachorros e gatos na rua, e nem fazia idéia do que era a vida... Lembre-se de você, adolescente, quando ia para a escola pensando no futebol na hora das aulas de matemática ou nos bilhetinhos que mandava para sua ou suas paquerinhas... Lembre-se quando passou no vestibular, ou nos vestibulares, e todos te pintaram, quebraram ovos na sua cabeça , jogaram farinha em você todo e te fizeram sentir uma massa pronta para bolo. Lembre-se, quando conseguiu o primeiro emprego, a primeira promoção, o primeiro filho, a primeira casa... Lembre-se que pode estar velho demais agora pelo comodismo, e que pode sim voltar no tempo, através de suas lembranças...
Lembre-se daqueles sentimentos que você julgava esquecidos no seu intelecto, que é tão mais racional que emocional... Lembre-se de como tudo parecia mais intenso, mais aceso, mais brilhante... Lembre-se daquela música que tocou enquanto você esperava no estacionamento, lembre-se daquele olhar que ganhou na fila do banco, ou na porta do bar, ou a espera do lanche na cantina... Lembre-se da bela garota que não te viu na rua, ou do misterioso rapaz que corria pela avenida... Lembre-se que um dia você esqueceu... que esqueceu a porta aberta, ou da data de aniversário... Lembre-se que esqueceu como era bom jogar escravos de jó, ou truco com os amigos... Lembre-se que esqueceu de dizer bom dia e muito obrigado. Lembre-se que seu cachorro ou seu gato ou seu papagaio gostam de você. Lembre-se da sua avó, como era doce e como fazia questão de sua presença e de tirar fotos com você. Lembre-se do seu avô, que pouco lembra por ter sido muito novo em sua partida... Lembre-se dos seus avós que ainda continuam vivos. Lembre-se do seu pai... Afinal, ele é seu pai apesar de tudo. Lembre-se da sua mãe, que as vezes pode até não ter tido a melhor escolha por você, mas sempre pensou no melhor a ti, mesmo quando a opção não era a melhor. Lembre-se dos seus irmãos, e lembre-se de nunca se esquecer deles. Lembre-se que um dia tudo se perde, a não ser que você se lembre... E lembre-se mais ainda: O que se perde não se tem devolta. E o que se perde, é o que mais se quer devolta...




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