quarta-feira, agosto 09, 2006

Another - Sobre escrever...

Muitas pessoas gostam da idéia de escrever um livro. Não importa muito o assunto, o que vale mesmo é aparecer na frente da televisão como "escritor". Ser entrevistado, quem sabe pelo Jô Soares ou aparecer em algumas revistas e jornais como ser inteligente. Aí se pode apontar para a notícia e até guardar, para mostrar para os parentes. Não importa qual seja o local, todo mundo que escreveu algo no papel já ficou pensando nisso ou naquilo... Cada pessoa que sofre uma experiência diferente ou única também pensa a mesma coisa: "Isso podeira dar um livro". Há também as três grandes obras que definem a realização do homem enquanto ser vivente:
*Plantar uma árvore
*Escrever um livro
*Conceber (com a mulher) um filho
(OBS: Não sei se foi o Jaguar ou Millôr que comentaram que hoje, a coisa baixou de nível um pouco, basta:
*Regar a Samambaia
*Escrever um grafite no banheiro feminino)
*Pegar gonorréia

Mas justamente é esse o ponto. As vezes, quando se pensa em escrever um livro, não se leva em conta o que se deve ter cuidado, quais as precauções, quais os custos que isso tudo leva... Li num site hj a respeito disso... de dicas para como se publica um livro. Registro em Biblioteca Nacional, envio de trabalhos pelo correio... Os "tombos" que as editoras dão em seus inexperiêntes e vulneráveis escritores... Acho que se eu escrevesse um livro, eu não mandaria para nenhuma editora... Seria mais fácil ir encadernando e imprimindo aos poucos, pegar uma ou duas mochilas e, de sol a sol tentar mostrar meu trabalho... Sempre pensei no que eu poderia escrever... Não sou romancista, aliás, sempre odiei A Moreninha, O Seminarista, O Cortiço, Iracema e outras obras que o colégio sempre mandava agente ler. As vezes eu poderia até ter gostado se não fosse a obrigação de fazê-lo. Se fala muito em Paulo Coelho, e ja 3 ou 4 pessoas me citaram livros ou trechos da figura. Nunca li, e nem sei do que se trata. Pode ser que eu iria gostar, afinal ele é um escritor que ainda está vivo, e, portanto é atual. Escreve em uma linguagem atual. Acho que esse negócio de "endeusar" Bernardo Guimarães, Joaquim Manoel de Macedo, Jose de Alencar entre outros é pura besteira. Não discuto nunca a importancia que eles tiveram para suas épocas, e não discuto mais ainda a importancia que tem hoje. Mas a importância que eles têm é histórica, e não de influência comportamental. Seria como eternizar Ulysses Guimarães na política, ou colocar uma música do Legião Urbana nas 7 melhores da Jovem Pan. Uma coisa é admirar o trabalho, outra é tentar influênciar a sociedade através destes trabalhos de uma maneira forçada, a ponto de manipular a opinião pública. Temos tantos bons escritores anônimos querendo que as pessoas apenas leiam seus trabalhos. Eu acredito que a música só sobreviveu devido à TV e ao rádio. As Bibliotecas deveriam também ter acompanhado a evolução tecnológica para tornar mais atraente as publicações, assim como a Tv tornou popular as novelas e o Rádio, as canções. Quem sabe algum dia eu ainda não escreva algo??? Acho que o prazer está em justamente você dar a alguém algo que você concebeu através das palavras e fazer com que alguns se emocionem de alguma forma com aquilo que está escrito... Dinheiro??? Sucesso??? Uma cadeira na Academia Brasileira de Letras??? Isso é consequência do reconhecimento. Mas eu me sentiria muito mais infinitamente frustrado se não conseguisse emocionar as pessoas com minhas palavras a não ter uma cadeira na conceita Academia em questão ao lado de outros colegas como eu, que tem as mesmas angústias e ânsias que eu...

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